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Os tremores de terra no Rio Grande do Norte - Século XIX

Elísio Augusto de Medeiros e Silva

Empresário, Escritor, Presidente da Fundação Amigos da Ribeira

elisio@mercomix.com.br

 

 

Durante o século XIX, ocorreram alguns tremores de terra no Rio Grande do Norte, documentados através de estatística, publicada no ano de 1916, na Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, volume XIV, números 1 e 2, pg. 92 e 93, pelo Dr. Alfredo de Carvalho, baseado em estudos do Visconde de Porto Seguro, professor John C. Branner e Dr. Arrojado Lisboa.

No dia 8 de agosto de 1808, ocorreram tremores de terra em Açu e, em 10 de janeiro de 1854, em Touros e Natal.

Em 1854, não foi feito registro, não tendo a matéria sido divulgada em nenhum periódico, bem como nas atas da Câmara, ou documentos das repartições públicas. O Presidente da Província era Antônio Bernardo dos Passos, nomeado por Carta Imperial de 1/10/1853, que efetuou excelente administração: construiu o Cemitério do Alecrim; edificou o “Hospital da Caridade”, no Passo da Pátria; regulamentou a pesca da costa da Província; restaurou o prédio do Atheneu e o fez funcionar concedendo bolsas de estudo a estudantes carentes e incentivou a disseminação das feiras livres, isentando de impostos os feirantes.

O abalo de terra não teve muita importância em Natal, visto ter tido maior intensidade em Touros, onde foi forte, aterrador, com diferença de poucos segundos para Natal. Entre os antigos moradores de Touros, reza a tradição que o estrondo teria sido no Touro Grande, cabeça de pedra existente no mar. Em Natal, o estrondo foi mais sentido na Ribeira, Redinha e praias do Norte.

O segundo tremor de terra em Natal, datado de 1879, atingiu a Cidade, diretamente, abalando a terra e assustando o povo com um ruído medonho, estendendo-se até São Gonçalo.

O fato foi relatado em vários jornais locais, como: “A Reforma” e “O Liberato”, e transcritos no “Jornal do Comércio”, edição de 10.8.1879, pg. 1, vol. 5.

No dia 12 de agosto de 1879, o “Jornal do Comércio” do Rio de Janeiro volta ao assunto à página 2, coleção B, onde comenta que o tremor e o estrondo estenderam-se a lugares vizinhos à Capital, ocasionando desabamentos no bairro da Ribeira. Destaca também que se ouvia um ronco surdo e subterrâneo, como a prever um tremendo cataclismo nas entranhas da terra.

Na época, o Dr. Berthot e M. Jonnes concluem que, talvez, o terremoto tenha relação com o fenômeno da seca, pois, a partir daí, choveu abundantemente na Província.

Em 1879, a seca foi tão terrível como a anterior de 77. No ano de 1879, o Presidente Rodrigo Lobato Marcondes Machado mandou construir um abrigo em Mossoró para 45.000 retirantes. Os rios secaram, e não caiu do céu uma única gota d’água.

Alguns atribuíram a responsabilidade do tremor de terra ao “Morro do Estrondo”, que são as atuais dunas que passam entre o Tirol e a Via Costeira, na altura da praia de Barreira D’Água. Após o chão tremer em Natal, a chuva desabou forte, e, mesmo tardiamente, o inverno chegou, mas, até os dias atuais, não existem explicações científicas que interliguem os dois fenômenos.

 

 

 

 

 

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