Nascido em Itaboraí, no Rio de Janeiro, em 27 de outubro de 1930, Og Pozzoli viveu parte de sua juventude em Natal, onde adquiriu o seu primeiro automóvel: um Opel P-4, 1937, tipo baratinha, do seu amigo natalense Fuad Aby Faraj, no ano de 1952.
Com este automóvel partiu de Natal, em janeiro de 1956, para São Paulo, levando 17 dias de viagem, a fim de vencer os 3.400 km de estrada. Maior do que a distância era o sonho de iniciar uma nova vida em São Paulo, onde, hoje, após mais de 50 anos de trabalho, é um empresário bem sucedido, no ramo de impermeabilizações.
Logo após a sua chegada a São Paulo, por motivos financeiros, teve que vender o velho Opel, apelidado carinhosamente de “Rochedo”, nome de uma marca de panelas existentes, àquela época, no Brasil.
Após dois anos de trabalho, conseguiu comprar um Lincoln Continental V-12, 1948, carro de luxo, que, por já ter 10 anos de uso, não mais agradava aos ricos, e tinha consumo e manutenção alta, para os menos afortunados. Por essa razão era barato, possibilitando a todos a sua aquisição.
Em 1960, adquiriu um Fusca do ano! Eram os primeiros anos da indústria automobilística nacional. Passou a usar o Fusca nas atividades diárias. A sua grande paixão começava a aflorar, quando resolveu não se desfazer do velho Lincoln 48. No ano seguinte, comprou um Ford 1928, modelo A, com a intenção de apenas brincar o carnaval e depois vendê-lo.
Passou o carnaval de 1961 e resolveu não se desfazer do Fordinho. Ficou com ele, também, iniciando-se, assim, a coleção daquele que seria, no futuro, o maior colecionador de automóveis do Brasil.
Daí para frente, não parou mais a sua procura por veículos antigos, e a sua coleção foi crescendo.
O Lincoln Continental 48 foi o início de toda a sua coleção, e foi nele que, no ano de 1962, conheceu sua esposa Maria Lúcia. Hoje, com D. Maria Lúcia e seus quatro filhos, delicia-se participando das reuniões, encontros, passeios e exposições de veículos antigos, pelo Brasil afora, com a família toda reunida.
No ano de 1968, com um grupo de amigos antigomobilistas, que costumava se reunir, para a troca de opiniões, sobre assuntos diversos: Roberto Lee, Eduardo Matarazzo, Ângelo Matinelli Bononni, Wladimir Neves e outros, tiveram a idéia de fundar um clube de carros antigos (10 sócios). No meio do entusiasmado grupo de companheiros, o jornalista Maurício Memória, dos Diários Associados, comprometeu-se a divulgar a notícia, em todos os jornais da rede.
Após algumas reuniões, para a aprovação de Estatutos, que regulamentavam os direitos e as obrigações dos sócios, foi fundado oficialmente o Veteran Car Clube do Brasil, no Rio. Og Pozzoli foi o sócio nº 1, e Roberto Lee o sócio nº 2. No dia seguinte à fundação do Clube, saiu em todos os jornais dos Diários Associados a alvissareira notícia de que, no Rio de Janeiro, havia sido fundado um clube de colecionadores de automóveis antigos. Em São Paulo, um mês depois, surgiu o Veteran Car Clube do Brasil, com Roberto Lee como Presidente e Og Pozzoli como vice.
Meses depois surge, em Curitiba-PR, o CAAMP- Clube de Automóveis e Antiguidades Mecânicas do Paraná, no qual Og Pozzoli foi distinguido como sócio honorário. A partir daí, com a semente lançada, os clubes de carros antigos não pararam mais de surgir e crescer, em todo o País.
Em 1975, com a morte do Presidente do Veteran Car Clube, Og Pozzoli assumiu a Presidência do Clube. No ano de 1976, foi organizado o primeiro Raid de carros antigos: São Paulo-Rio, para comemorar os 50 anos da posse do Presidente Washington Luís. A caravana composta de 40 veículos antigos em perfeito estado fez o percurso até o Salão Imperial do Automóvel Clube do Brasil, onde foram recebidos pelo General Santa Rosa e pelo Veteran Car do Rio.
A partir daí, da ocorrência dos encontros e da criação de vários clubes independentes de automóveis antigos, surgiu a ideia da criação da Federação Brasileira de Veículos Antigos – FBVA. Seu primeiro Presidente foi o jornalista Roberto Nasser, de Brasília; seguindo-se Francisco Azevedo do Paraná, Og Pozzoli de São Paulo, José Aurélio do Rio de Janeiro e Henrique Thielmann de Juiz de Fora. Com os automóveis antigos revive-se a história, a cultura e os hábitos das décadas passadas.
Um dos eventos que mais marcou a memória de Og Pozzoli foi o “Rally do Sol”, com destino à Natal, em 1990, sua Cidade do coração. Ele voltava à sua terra, 34 anos depois, com um Ford Cabriolet 1937, acompanhado de mais 56 automóveis antigos. Foi recebido, em Natal, com o carinho do povo Potiguar e do Governo do Estado. Era o retorno do filho pródigo, que trazia a semente do antigomobilismo para a nossa Cidade.
A coleção Og Pozzoli reúne, hoje, 174 automóveis, guardados em sua chácara, na Estrada do Embú, em São Paulo, com todo o zelo que merecem os carros antigos. Seus veículos, totalmente originais, parecem ter saído das linhas de montagem. Alguns deles são únicos no Mundo, outros são veículos que pertenceram a governadores, presidentes, industriais, e várias outras personalidades da história do Século XX.
Possui uma fantástica biblioteca, em outra ala, uma espécie de museu que abriga troféus, prêmios e antiguidades diversas.
Atualmente, Og Pozzoli é sócio honorário de vários clubes de carros antigos do Brasil, Cidadão Paulistano da Câmara Municipal de São Paulo e Cidadão Natalense da Câmara Municipal de Natal. Recentemente, foi visitado por uma comissão de integrantes do CCA-RN (Clube de Carros Antigos do RN), fundado em 2002, que voltaram encantados, não somente com os belos automóveis, mas com a calorosa recepção que lhes foi dispensada, em São Paulo.
Afinal, antigomobilismo é uma das formas de cultura de um povo.