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A Cozinha Escandinava

Elísio Augusto de Medeiros e Silva

Empresário, Escritor, Presidente da Fundação Amigos da Ribeira

elisio@mercomix.com.br

 

 

 

Após longa viagem de navio, ao chegar em um pequeno restaurante em Estocolmo, no ano de 1930, o nosso personagem Tibério foi apresentado à gastronomia escandinava conhecida por smörgasbord, que quer dizer “pão com manteiga”.

O smörgasbord é um ritual que todos os suecos conhecem e compreendem bem. “A ordem de escolha é de máxima importância; os sabores devem ter sempre uma sequência lógica, complementar-se nunca se opor”.

Tibério sabia que, em toda a Escandinávia, a culinária estava sempre próxima da natureza. O peixe é o prato básico da alimentação da Noruega, sendo o bacalhau o preferido nesse País. É comprado vivo, de preferência, e levado para casa, onde é cortado em postas e aferventado por, no máximo, 10 minutos. Nunca fervido.

Em Oslo, ele provou o seu primeiro bacalhau preparado segundo as receitas escandinavas, sentindo aquele gosto que lembrava o mar, um velho sonho. O prato era acompanhado de cenouras e batatinhas, e, como sobremesa, saboreou amoras frescas com chantilly. Ele logo entendeu porque chamavam essa comida de Herramaltid, “refeição para reis”. Faz jus ao nome!

Normalmente, os escandinavos preferem que seus alimentos sejam frescos, porém, seus invernos longos e rigorosos os tornaram mestres na preservação dos alimentos naturais - salgar, secar e defumar são processos que todos sabem fazer bem. O bacalhau também é conservado seco, aberto e pendurado pela cauda nas vigas de madeira das casas na costa norte da Noruega.

No dia seguinte, Tibério comeu algo que não esqueceu mais. Uma couve-flor com manteiga derretida por cima. Qual o segredo do sabor? As temperaturas amenas e longas horas de luz solar forçam os legumes a crescerem lentamente, fazendo com que eles acumulem açúcares naturais, consequentemente, mais sabor do que obtemos no Brasil.

Durante as mudanças de estação também mudam os cardápios escandinavos: salmão na primavera, bacalhau no inverno, cogumelos e caça no outono. No verão é a época do enorme caranguejo fluvial, em que a chegada é comemorada anualmente com uma festa na quinta-feira posterior à segunda quarta-feira de agosto. Segundo as leis suecas, somente a partir dessa data é que esses primos encouraçados das lagostas podem ser consumidos.

Como estava próximo o seu retorno ao Brasil, Tibério foi juntamente com alguns amigos suecos degustar os caranguejos na Finlândia, onde a estação começa mais cedo. Na Finlândia a culinária também tem suas peculiaridades. Ele saboreou um assado de rena e conheceu uma enorme variedade de peixes de água doce, que vivem nos milhares de lagos. Os pães e assados são especialidades finlandesas.

Depois, deu um pulo na Dinamarca, onde apreciou uma boa akvavit, bebida destilada de cereais ou batata, ao lado de sanduíches fabulosos com salmão e arenque. Os dinamarqueses, com certeza, fizeram do sanduíche uma obra de arte.

Desde 1888 que Oskar Davidsen, o precursor do sanduíche aberto dinamarquês, abrira um armazém em Copenhagen, onde oferecia 178 variedades de sanduíches abertos. Tibério conheceu bem a patisserie dinamarquesa, que é famosissíma  em todo o mundo.

Voltou deliciado da viagem e aproveita para desejar aos leitores: velkommen til bords (bem-vindos à mesa)!.

 

 

 

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