Alô, alô! O seu Repórter Esso, alô!
Elísio Augusto de Medeiros e Silva
Empresário, Escritor, Presidente da Fundação Amigos da Ribeira
elisio@mercomix.com.br
Em 28 de agosto de 1941, durante o período da Segunda Guerra Mundial, e como reflexo da aproximação brasileira com os Estados Unidos, surgiu o “Repórter Esso”, principal noticiário radiofônico da época, comandado pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro. O programa era patrocinado pela Standard Oil Company of Brazil, conhecida como Esso do Brasil, com o noticiário fornecido pela United Press Associations (UPA), que em 1958, após a sua fusão com a International News Service (INS), transformou-se em United Press International (UPI).
O noticiário, apoiado pelo presidente Getúlio Vargas, e sob a orientação do DIP - Depto de Imprensa e Propaganda, tinha modelo semelhante ao existente em outras capitais dos Países Aliados dos Norte-Americanos e chegou a alcançar cinco edições diárias.
Identificado por suas características musicais e textos de abertura, o “Repórter Esso” agradou os ouvintes e trazia sempre em primeira mão notícias importantes, especialmente as referentes às situações no “front”.
Além de notícias de guerra, o programa dava bastante destaque ao estilo de vida americana da época (american way of life), às autoridades, astros e estrelas do cinema e feitos científicos norte-americanos.
Por outro lado, o “Repórter Esso” não comunicava, por exemplo, notícias da Europa, Ásia e África se não houvesse interesses norte-americanos envolvidos.
Os locutores que mais se destacaram no noticioso foram: Gontijo Teodoro, Luiz Jatobá e Heron Domingues.
O prestígio do noticiário era tão grande que ele interrompia qualquer programa para comunicar algo relevante: “O Repórter Esso informa em edição extraordinária...”.
Além de ter dado forças ao radiojornalismo brasileiro e às coberturas esportivas, a sua maior contribuição foi a introdução do texto direto, corrido, e sem adjetivações, apresentando-se como um noticiário ágil e estruturado.
Motivados pelo sucesso do “Repórter Esso”, surgiram outras experiências noticiosas. A Rádio Tupi do Rio de Janeiro lançou o “Jornal Falado Tupi”, no qual inicialmente os locutores apenas liam em voz alta as notícias publicadas nos jornais impressos, as quais eram transmitidas em síntese e agrupadas em bloco por assunto. Em 1950, a Rádio Bandeirante de São Paulo inovou com um noticiário novo a cada 15 minutos.
Em 1950, o Repórter Esso realizou ampla cobertura da guerra da Coreia, inclusive, chegou a enviar correspondentes aos campos de batalha. Em 1954, noticiou com exclusividade o suicídio de Getúlio Vargas; em 1957, informou com grande destaque a explosão da primeira bomba de hidrogênio; em 1959, noticiou que Fidel Castro vencera a Revolução Cubana e mostrou o perigo do avanço comunista na América Latina. Em 1963, noticiou o assassinato do presidente John F. Kennedy.
Em 1 de abril de 1952, às 19:45 horas, o Repórter Esso ganhou sua versão na televisão pela TV Tupi, inicialmente com o nome de “O Seu Repórter Esso”, que, na edição paulista, tinha Kalil Filho como apresentador. A Agência Nacional e a United Press enviavam as notícias ao telejornal.
No Rio de Janeiro, o programa foi apresentado por Luiz Jatobá (por pouco tempo), sendo substituído por Gontijo Teodoro, que permaneceu até o final. Comandando na TV Itacolomi, de Belo Horizonte, Luiz Cordeiro; na TV Piratini, em Porto Alegre, Helmar Hugo; e na TV Rádio Clube, em Recife, Edson Almeida.
Os programas eram conhecidos pela exatidão e confiabilidade das informações veiculadas.
Bastante prejudicado pela censura, no final dos anos 60, o telejornal só exibia desfiles de moda e notícias amenas. Foi o princípio do seu fim!
Após quase três décadas de informação, em 31 de dezembro de 1968, já na Rádio Globo do Rio de Janeiro, o programa se despedia dos ouvintes. A partir das 20:25 horas, o radialista Guilherme de Sousa fez a identificação da emissora e, após dar a hora certa, anunciou: “Alô, alô, Repórter Esso! Alô!”.
Então, ao som das tradicionais trombetas, o locutor Roberto Figueiredo entrou no ar, noticiando sobre as festividades do Ano Novo; o pronunciamento do presidente Costa e Silva sobre o momento nacional e a instituição do AI-5, além da assinatura de decretos sobre o setor financeiro; a condenação de Israel, por parte das Nações Unidas, pelo atentado contra o Líbano; a missa de Ano Novo a ser realizada por D. Paulo VI; a previsão do tempo nas principais cidades brasileiras; e um resumo das principais notícias transmitidas pelo Repórter Esso nos seus 27 anos de existência.
Ao final da transmissão, o locutor Roberto Figueiredo ficou bastante emocionado, a ponto de ser substituído por alguns instantes pelo locutor-reserva Plácido Ribeiro.
No dia 31 de dezembro de 1970, o telejornal encerrou as suas atividades. Uma lástima!